Todos nós precisamos de um pouco de solidão!

Ao despertar diário da minha pequena morte, sou provocado por algum tipo de ruído ou algo sonoro que ao adentrar aos meus ouvidos, chacoalha a minha mente adormecida na escuridão, para o mundo dos vivos! E a partir deste despertar inicia-se uma aventura de movimentos, sensações e…barulhos…

O ligar do chuveiro, a agua da pia, a música tocada, o fritar do ovo, o estalar da torradeira, o giro perturbador do liquidificador e o apitar do microondas…A TV, o celular, as redes sociais; é o filho que chama e o bebê que chora…

Não faz nem duas horas que ressuscitei e meus ouvidos já captaram milhares de sons! Imagine daqui há 15 horas como estarei!

É o barulho dos carros, o som da buzina, a voz amarga do senhor rechonchudo, que não tem paciência para aguardar o sinal abrir. Vendas nos faróis, no metro e nos trens. É a lata que abre, o isqueiro que estala, a cafeteira que apita, o jornaleiro que passa, a xícara que quebra e o cachorro que late!

O telefone que toca, toca, toca…Decido atender. É apenas uma voz gravada da operadora do celular. Sons, ruídos, barulhos…Vozes, gritos, ecos…Dificilmente algum barulho passará despercebido aos meus ouvidos.

Ao entardecer do dia, a necessidade é de conseguir separar tudo isso e decidir ficar com o que foi bom! Mas o que foi bom? Tantas coisa se passaram, se perderam, se misturaram… É preciso esperar a noite!

Confesso que ao tardar da noite, já sozinho, por vezes acho estar escutando o trem passar! Qual trem? Aqui não há trem! E o grito do rechonchudo que por vezes parece estar ao pé do meu ouvido? Mas não há trânsito agora!

Neste momento todos dormem, e cá estou eu, tentando me esvaziar, sob o olhar do Observador Onisciente, me preparando para daqui a pouco morrer novamente! Não posso morrer de novo levando tantas coisas! Preciso me esvaziar!

Lembro-me da solidão! Ela tem a força e os instrumentos necessários para fazer uma limpeza e me libertar dos pesos e barulhos deste dia!

Me aproximo dela e ela de mim! Nos encaramos! Nada de falas, de ruídos…Tudo agora gira em torno do ser!

O Observador Onisciente apenas olha e permite que o Seu hálito, que descansa na solidão; me toque. Pronto! Foi-se embora tudo! Barulhos, ruídos, ecos…

Estou pronto para morrer novamente!

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3 comentários em “A tão necessária solidão!

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